sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A história do soldado medroso

Era uma vez um soldado medroso, que queria ser corajoso e valente, para conquistar a bela dama. Para isso ele queria lhe dar um valioso presente. Esse presente era um lírio muito raro, que só era encontrado no pico mais alto das montanhas. Mas o soldado era medroso, como chegaria ao alto da montanha? Ele passou a noite em claro pensando em uma maneira. No dia seguinte, ainda sem saber o que fazer, ele saiu pela cidade. Foi quando encontrou com a pequena mulher chinesa. Ele a olhou e pensou: - é melhor uma pequena mulher chinesa, do que uma bela dama e um lírio das montanhas. E eles viveram quase felizes para sempre.
FIM

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

No último momento

Lembrei do dia em que andei de bicicleta, sem rodinha, pela primeira vez. Meu pai empurrando pelo banco, e eu pedalando até cair.

Aquela bicicleta era tão pequena, tão baixa, que nem entendo como as quedas de cima dela, machucavam tanto meu joelho. Foi naquele dia, com meus seis anos, na pracinha perto de casa, que começaram a serem marcadas as cicatrizes que carrego até hoje.

Dizem que quando você está morrendo, passa o filme da sua vida na cabeça. No meu caso não foi bem assim. Enquanto eu estava caído no ponto de ônibus, com dois tiros no peito, o que passava na minha cabeça era aquele curta-metragem: o dia em que eu andei de bicicleta sem rodinha, pela primeira vez.

Ouvia meu pai “Pedala, filho, pedala!”, e eu pisava forte nos pedais daquela minúscula Caloi. O problema é que eu ainda não sabia controlar o guidão. Parecia ter vida própria, virava demais e me derrubava. Meu pai, então, me levantava, perguntava se eu estava bem, e me fazia tentar de novo.

Sentia frio e sede, mas não sabia se estava acordado ou dormindo. Havia vozes e sirenes. Sei que vi um paramédico. E sei que ele estava falando comigo, mas eu não entendia. Só conseguia ouvir o que estava dentro da minha cabeça. Meu pai falando “pedala, filho”.

Subi de novo, meu pai começou a me empurrar. Não conseguiram conter o sangramento. Fui colocado na maca. “Vai, filho, pedala!”, pedalei forte de novo. Disparada, saiu a ambulância. Meu pai soltou o banco. Fiz como ele mandou, segurei firme o guidão, olhando pra frente, controlando cada vibração.

Sem pulso, sem respiração. Seguia firme, pedalando forte, sem bater nos bancos, nem nos canteiros. Já não havia mais som. Nem frio, nem sede, nem nada.

Meu pai gritava “Vai, filho! Não pára!”. E não parei! Consegui, senti a brisa no rosto. Senti o orgulho do meu pai. Senti a conquista. E segui firme, pedalando até o fim.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O show

Já nem sabia mais quanto tempo estava ali. Tinha bebido mais do que eu pensava em beber, mas o tempo não passava, e a ansiedade também não. Ficava esperando. Num canto. Tenso. Esperando a minha vez.

Afinava o baixo. Tocava, desplugado, as mesmas músicas que tocava sempre. Tenso. Afinava e desafinava o instrumento. Levanto e pego mais outra cerveja. Até que o técnico avisa “vai, é a vez de vocês”.

Finalmente! Depois de meses enfurnados num estúdio. Depois de inúmeras discussões. Depois de inúmeros ensaios. De repetir a mesma música seguidamente. Depois de não agüentar mais o que eu toco, vou finalmente “passar o som”. Vou oficialmente tocar!

E pra todos aqueles que convenci em nos assistir. Que convenci de que a música era boa. Chegou a vez de provar!

Subi. Tonto. Nervoso. Ansioso.

Subi orgulhoso! Com uma pressão no peito, que eu tinha certeza que era rock’n’roll. Pluguei meu Condor BX-12 um Mesa Boogie, que tinha muito mais som, do que eu tinha pra mostrar. Me perdi.

Não conhecia mais o som que eu fazia. A tensão aumentou. E quando os amigos e não amigos aglomeraram-se na frente do palco, o coração disparou. “Não quero mais!”.

O técnico gritou “vocês começam.,.vai!”.

1, 2, 3, 4...

A bateria marcou, entrei muito mais acelerado. Muito mais agudo. Foda-se! Não controlava mais. Fiz o que sabia. O que ensaiava, e achei foda!

Naquele momento. Naquele palco eu era insuperável. Pouco importa os acordes perdidos. O tempo errado. Naquele momento, eu era um rockstar. E vendo as pessoas na frente do palco, tinha certeza disso.

Elas ouviam o que eu pensava estar tocando. Elas sentiam o que eu achava que passava. E ouvindo, ou não, sentindo, ou não, eles estavam comigo!

...so, let it rock...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

1,2,3.. Testando... som... ahhhh...

Tequila NoN Sense é, foi ou era pra pra ser uma banda formada por amigos que se reuniam para cantar versos desconexos. Quanto a amizade não há dúvidas de que obtivemos sucesso, já quanto a banda...

E quanto ao objetivo deste blog, bem! o objetivo eu ainda não sei, mas ele está aqui e se a banda morreu (se um dia ela realmente existiu) as idéias continuam vivas, e a vontade de compartilhá-las também.

"Vou rumo ao desconhecido, como um navio perdido que não sabe a direção
Pior que o medo é a dúvida, pior ainda é viver na ilusão"
TNS - Rumo ao desconhecido - Daniel Veloso